O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu, esta segunda-feira (17), não avançar com qualquer discussão sobre um novo empréstimo ou programa de financiamento para Moçambique, frustrando as expectativas do Presidente Daniel Chapo, que havia apostado publicamente na aprovação de um novo pacote de apoio financeiro.
Segundo o economista e analista Joseph Hanlon, a decisão confirma a postura rigorosa já assumida pela missão do FMI que esteve no país entre 12 e 21 de novembro do ano passado.
O Conselho Executivo reiterou exigências consideradas estruturais, incluindo uma desvalorização substancial do metical e a implementação de profundas reformas fiscais e salariais.
Na sua comunicação oficial, o FMI destacou que “uma comunicação clara dos objetivos das reformas será essencial para garantir a adesão das partes interessadas e ajudar a construir confiança pública”.
Pressão para desvalorização do metical
O tema da taxa de câmbio voltou ao centro do debate. Há cerca de cinco anos que o metical mantém uma taxa média de 1 dólar norte-americano equivalente a 63,9 meticais. Contudo, análises indicam que o valor real poderá situar-se em torno de 1 dólar para 90 meticais, sugerindo uma sobrevalorização da moeda nacional.
De acordo com especialistas, a taxa atual favorece importações baratas e reduz a competitividade das exportações. Em 2024, Moçambique terá importado cerca de 441 milhões de dólares em arroz e 220 milhões de dólares em óleo alimentar — produtos que também são cultivados e processados localmente.
Uma eventual desvalorização poderia encarecer as importações e estimular a produção nacional, com potencial para gerar milhares de empregos, sobretudo nos setores agrícola e agroindustrial. No entanto, o debate envolve interesses económicos sensíveis ligados ao controlo das importações.
Cenário de incerteza
A ausência de um novo programa com o FMI pode colocar pressão adicional sobre as finanças públicas e o ambiente de investimento, num contexto já marcado por desafios fiscais e sociais.
Espera-se agora um posicionamento oficial do Governo moçambicano sobre os próximos passos face à decisão do organismo internacional. Clique e acompanha na fonte....
