O filósofo e professor catedrático José Castiano afirmou que Moçambique encerrou um ciclo histórico ao liquidar a sua dívida com o Fundo Monetário Internacional, cerca de quatro décadas após o início do processo de endividamento externo.
Segundo Castiano, o momento representa um marco importante em termos de soberania financeira, mas levanta igualmente questões sobre o grau real de independência económica do país no actual contexto global.
Na sua análise, o académico recupera o papel da antiga Primeira-Ministra Luísa Diogo, destacando os esforços desenvolvidos no passado para reduzir a dependência de Moçambique em relação às instituições financeiras internacionais.
De acordo com o professor, durante as negociações no Clube de Paris, o país conseguiu um perdão significativo da dívida externa, resultado de uma estratégia política orientada para minimizar os riscos do endividamento.
Essa abordagem incluiu mudanças estruturais na gestão da ajuda externa, com a canalização de recursos directamente para o Orçamento do Estado, em substituição de projectos isolados financiados por organizações não-governamentais.
No entanto, Castiano observa que essa estratégia acabou por enfrentar resistências e não se consolidou ao longo do tempo.
O académico defende que, posteriormente, o país voltou a entrar num ciclo de endividamento, influenciado por políticas associadas ao Consenso de Washington, caracterizadas pela liberalização dos mercados e redução do papel do Estado.
Para Castiano, a dívida não representa apenas um desafio económico, mas também político e moral, uma vez que países altamente endividados tendem a negociar sob pressão e com menor margem de manobra.
Apesar da liquidação da dívida ao FMI, o especialista considera que Moçambique continua inserido num modelo económico que limita a sua autonomia plena, levantando o debate sobre os caminhos a seguir para garantir uma independência financeira sustentável.
Na mesma linha, Luísa Diogo é apontada como uma figura-chave de transição, tendo desempenhado um papel relevante na passagem para uma economia mais liberal, ao mesmo tempo que procurava assegurar medidas de protecção social para os sectores mais vulneráveis. Clique e acompanha na fonte...
