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António Carlos do Rosário diz ter sido condenado por interesses que pretendiam um Estado fraco


O antigo director da Inteligência Económica do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) e figura central do extinto Sistema Integrado de Monitoria e Protecção (SIMP), António Carlos do Rosário, afirma que a sua condenação no processo das dívidas ocultas resultou de uma disputa de poder e de interesses nacionais e internacionais que, segundo diz, pretendiam manter o Estado moçambicano frágil e dependente.

Conhecido como “Indivíduo A” no julgamento relacionado com cerca de 2,2 mil milhões de dólares das dívidas ocultas, Rosário foi condenado a 12 anos de prisão. Após cumprir metade da pena, beneficiou de liberdade condicional. 

Em entrevista ao Canal de Moçambique, o antigo responsável dos serviços de inteligência rejeita a tese de corrupção e sustenta que o processo judicial teve como objectivo “liquidar qualquer possibilidade de Moçambique se tornar economicamente independente”.

De acordo com Rosário, o SIMP, que descreve como o “cérebro” da arquitectura de segurança do Estado, foi desmantelado após 2015 na sequência de pressões externas e de uma alegada “guerra de narrativas” que explorou vulnerabilidades internas do país. 

Na sua visão, existiam actores interessados em impedir o desenvolvimento de capacidades próprias para a protecção da Zona Económica Exclusiva, dos recursos naturais e das rotas estratégicas.

Na mesma entrevista, o ex-dirigente aponta o então Presidente da República, Filipe Nyusi, como tendo cedido a um “lobby mafioso” ao cooperar, segundo a sua interpretação, com uma agenda que visava promover o julgamento do caso das dívidas ocultas com o objectivo de enfraquecer os serviços de inteligência e a soberania económica nacional. As declarações são apresentadas como opiniões pessoais do entrevistado.

Rosário associa ainda a sua detenção a uma mensagem que diz ter enviado a colegas do SIMP no dia 25 de Junho, Dia da Independência Nacional, após a divulgação do sumário do relatório da Kroll. Segundo afirma, a mensagem defendia uma noção de independência que ultrapassa o plano formal e político, abrangendo as dimensões tecnológica, económica, moral e institucional.

. o antigo director da Inteligência Económica, Moçambique enfrenta fragilidades ao nível da soberania económica, da credibilidade institucional e do controlo de capacidades estratégicas, factores que, no seu entendimento, tornam o país vulnerável a pressões externas. 

“A minha prisão não foi um acto isolado nem apenas judicial”, afirmou, sustentando que resultou de uma convergência entre disputas pelo poder e fragilidades do Estado. Clique e acompanha na fonte...

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