O cenário salarial em Moçambique poderá registar mudanças significativas, após a Comissão Consultiva do Trabalho (CCT) ter alcançado um acordo para o reajuste de até 10% nos salários mínimos dos oito sectores de actividade no país.
A medida, que resulta de intensas negociações entre o Governo, sindicatos e sector privado, terá efeitos retroactivos a partir de 1 de Abril do corrente ano. No entanto, o impacto real do aumento no poder de compra das famílias já está a gerar debate entre os parceiros sociais.
A Confederação Nacional dos Sindicatos Livres e Independentes de Moçambique reconhece avanços nas negociações, mas considera o reajuste insuficiente face ao custo de vida. O secretário-geral da organização, Boaventura Simbine, destaca que a cesta básica está estimada em cerca de 52 mil meticais, valor muito acima da maioria dos salários mínimos praticados no país.
Por sua vez, o sector empresarial defende que o aumento de 10% representa o limite possível no actual contexto económico, marcado por desafios como choques externos e eventos climáticos, incluindo inundações que afectaram várias regiões e impactaram a capacidade produtiva das empresas.
O Governo, através dos seus representantes na CCT, reafirmou o compromisso de melhorar gradualmente as condições de vida dos trabalhadores, garantindo continuidade nos esforços de ajustamento salarial.
O próximo passo será a submissão da proposta ao Conselho de Ministros, que deverá analisar e aprovar as novas tabelas salariais antes da sua implementação oficial. Clique e acompanha mais...