DigitPress

GOVERNO ADMITE FALHAS E DENUNCIA “DESAPARECIMENTO” DE COMBUSTÍVEL EM POSTOS


O Governo moçambicano reconheceu, este domingo (19), graves disfunções no sistema de abastecimento de combustíveis, denunciando práticas suspeitas ao longo da cadeia de distribuição, incluindo o alegado “desaparecimento” de parte significativa do produto entre os terminais e os postos de venda.

Num comunicado de imprensa divulgado pelo Gabinete de Informação, o Executivo afirma que, apesar de existirem stocks suficientes nos principais terminais do País, a escassez registada sobretudo na Cidade de Maputo resulta de uma combinação de factores internos e externos alguns dos quais levantam sérias questões sobre a transparência do sector.

Entre os elementos mais controversos, o Governo revela que há postos de abastecimento que não fazem chegar aos seus tanques todo o combustível levantado, indiciando possíveis esquemas de desvio ou açambarcamento. A situação já está sob investigação, com equipas de fiscalização destacadas para monitorar toda a cadeia de distribuição.

Além disso, o Executivo aponta o dedo a algumas distribuidoras, acusando-as de incapacidade financeira para garantir o fornecimento, devido à falta de liquidez e à impossibilidade de obter garantias bancárias. Em certos casos, segundo o documento, empresas do sector encontram-se “descapitalizadas”, o que levanta dúvidas sobre a sua sustentabilidade e credibilidade no mercado.

Outro factor identificado é a corrida massiva aos postos de abastecimento, alimentada por informações consideradas falsas disseminadas nas redes sociais, o que agravou ainda mais a pressão sobre o sistema.

No plano internacional, o Governo justifica parte da crise com a instabilidade no Médio Oriente, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz uma rota estratégica por onde circula cerca de 20% do comércio global, incluindo combustíveis. Este cenário provocou uma subida generalizada dos preços no mercado internacional, com impacto directo em países importadores como Moçambique.

Apesar disso, o Executivo assegura que conseguiu manter os preços internos estáveis graças a reservas previamente adquiridas, mas admite que uma subida é inevitável já nas próximas semanas quando entrarem no mercado produtos comprados a preços mais elevados.

Para conter a crise, foram adoptadas medidas excepcionais, como a autorização para que postos de abastecimento comprem combustível fora dos contratos habituais, a extensão das garantias bancárias e a proibição temporária da reexportação.

Ainda assim, o tom do comunicado levanta críticas implícitas à actuação de operadores privados, sugerindo práticas que colocam em causa o interesse público num momento de elevada sensibilidade económica e social.

Enquanto apela à calma, o Governo recomenda aos cidadãos a adopção de medidas de contenção, como o uso de transportes públicos e o trabalho remoto um sinal claro de que o País poderá estar a entrar num período prolongado de restrições energéticas. Clique e acompanha mais...

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem