O jornalista e sociólogo Boaventura Monjane criticou duramente a recente nomeação da antiga ministra da Educação, Carmelita Namashulua, para o cargo de Inspectora-Geral do Estado, considerando o caso como reflexo daquilo que chama de “reciclagem da incompetência” no sistema político moçambicano.
Num artigo de opinião, Monjane defende que a nomeação não representa um caso isolado, mas sim um exemplo do funcionamento estrutural do aparelho do Estado em Moçambique, onde, segundo o autor, a lealdade partidária se sobrepõe frequentemente ao mérito e à competência técnica.
O académico argumenta que figuras públicas criticadas pelo seu desempenho continuam a ser reconduzidas para novos cargos dentro do Estado, numa lógica de protecção política e manutenção de equilíbrios internos.
No texto, o autor sustenta ainda que a ausência de responsabilização política contribui para o enfraquecimento das instituições públicas, afectando sectores considerados essenciais, como educação e saúde.
Boaventura Monjane também questiona a possibilidade de mudanças profundas no sistema político actual, defendendo que reformas superficiais dificilmente conseguirão alterar estruturas históricas de poder e compadrio.
As declarações têm gerado forte debate nas redes sociais e entre analistas políticos, dividindo opiniões entre cidadãos que concordam com as críticas apresentadas e outros que defendem a necessidade de maior estabilidade institucional e respeito pelas decisões do Estado. Clique e acompanha mais.
