A rota Baixa–Bela Vista–Salamanga amanheceu paralisada nesta terça-feira, numa demonstração clara de que o sector dos transportes semi-colectivos continua mergulhado num cenário de contradições e ausência de autoridade efectiva.
Transportadores da rota acusam associações e grupos ainda não identificados de estarem a impor tarifas inferiores às oficialmente aprovadas pelo Governo para o transporte inter-distrital, criando um braço-de-ferro que acabou por deixar dezenas de passageiros abandonados nas paragens e terminais.
Segundo os operadores, o tarifário inicialmente aprovado para a rota Baixa–Salamanga–Bela Vista rondava os 129 meticais por passageiro, tendo em conta a distância, o preço dos combustíveis, as condições das estradas e os custos operacionais. Porém, de forma surpreendente, indivíduos desconhecidos teriam surgido no terminal rodoviário e afixado uma nova tabela com preços entre 90 e 100 meticais, uma redução de cerca de 30 meticais.
A situação está a gerar revolta entre os proprietários e motoristas, que afirmam não compreender como estruturas sem legitimidade aparente conseguem contrariar tabelas autorizadas pelo próprio Governo, sem qualquer reacção imediata das autoridades competentes.
O mais preocupante, segundo os operadores, é que a imposição de tarifas mais baixas surge numa altura em que o custo de operação dos “chapas” continua elevado, desde combustível, manutenção, pneus, peças e até cobranças informais nas estradas. Para muitos motoristas, cobrar menos do que o valor inicialmente acordado é “condenar o sector à falência”.
Enquanto isso, os passageiros vivem o outro lado da crise: a falta de transporte. Muitos cidadãos que precisavam deslocar-se para Salamanga, Bela Vista e outras zonas periféricas passaram horas à espera de viaturas que simplesmente não apareceram. Clique e acompanha mais...
