O partido ANAMOLA, liderado interinamente por Venâncio Mondlane, enviou uma carta pública ao Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, exigindo esclarecimentos sobre um alegado contrato de serviços de relações públicas nos Estados Unidos da América, avaliado em 75 mil dólares.
No documento que tivemos acesso e publicada na suas redes sociais, datado de 15 de Junho de 2026, o partido afirma ter consultado registos públicos do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), ao abrigo da Lei de Registo de Agentes Estrangeiros (FARA), onde consta um contrato submetido em Dezembro de 2024 pela empresa Lokee Worldwide Productions, representada pelo cidadão haitiano Unik Ernest e intermediada pelo moçambicano João Matlombe.
Segundo o ANAMOLA, o objectivo do contrato seria promover internacionalmente uma narrativa favorável sobre o processo eleitoral moçambicano de 2024 e melhorar a imagem do país junto da imprensa internacional.
Entre as principais preocupações levantadas pelo partido está o facto de Daniel Chapo aparecer identificado nos documentos oficiais norte-americanos como “Governador da Província de Inhambane”, numa altura em que, segundo o ANAMOLA, já havia renunciado ao cargo para se dedicar à corrida eleitoral.
O partido considera que essa informação levanta dúvidas éticas, jurídicas e institucionais, tanto em Moçambique como nos Estados Unidos, podendo configurar falsas declarações perante autoridades estrangeiras.
A carta menciona ainda que o plano estratégico incluía contactos e acções direccionadas a órgãos internacionais como Fox, Reuters, CNN, Forbes, Bloomberg, NBC e Newsweek, com o objectivo de influenciar a percepção internacional sobre as eleições moçambicanas.
Outro ponto destacado pelo ANAMOLA é a alegada utilização do “Gabinete do Presidente” em estratégias de comunicação internacional numa altura em que Daniel Chapo ainda não tinha sido formalmente investido como Chefe de Estado, o que, segundo o partido, pode representar mistura entre interesses partidários e instituições públicas.
Venâncio Mondlane questiona igualmente a origem dos fundos usados para pagar o contrato, pedindo esclarecimentos sobre a eventual utilização de dinheiro público ou recursos do Estado.
Na carta, o líder interino do ANAMOLA também levanta preocupações sobre os critérios usados para seleccionar o lobista haitiano Unik Ernest, alegando que o seu nome aparece associado em relatórios internacionais ligados ao polémico Caso Epstein.
O partido pede ainda esclarecimentos sobre a continuidade ou não do alegado contrato de lóbi e questiona se existem actividades não declaradas em curso nos Estados Unidos envolvendo representantes moçambicanos.
Ora, esta é a terceira carta que Venâncio Mondlane envia à Presidente da República em menos de duas semanas. Clique e acompanha mais...
